APDH realça o trabalho das mulheres no SNS, «que nem sempre tem a devida visibilidade»
Chamar a atenção para o trabalho das mulheres no Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi o objetivo da Conferência “SNS no Feminino”, segundo Carlos Pereira Alves. O presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar (APDH), a entidade organizadora do evento, mostrou-se satisfeito com a iniciativa que contou com a presença da ministra da Saúde.
Carlos Pereira Alves,
Para Carlos Pereira Alves, a temática da conferência não podia fazer mais sentido, mas explicou que não se tratou de “um elogio à presença feminina no SNS”. “A APDH quis realçar o trabalho das mulheres no SNS e na sociedade, que tem cada vez maior importância, e que, infelizmente, nem sempre tem a devida visibilidade, apesar do caminho de emancipação numa sociedade patriarcal.”
O responsável defendeu, assim, que “ainda muito se pode fazer para que haja maior igualdade entre mulheres e homens.”
"recuperação do sentimento de orgulho por se trabalhar no SNS”
Dos vários temas abordados, destacou-se, em particular, o da mesa sobre “SNS: Uma visão de futuro” ou não tivesse contado com a presença da ministra da Saúde, Marta Temido.
Perante uma assistência de pessoas ligadas direta ou indiretamente ao setor da saúde apresentou algumas reflexões sobre os desafios e as possíveis soluções para o futuro do SNS no ano em que se assinala os seus 40 anos.
Na sua intervenção afirmou que “o SNS precisa melhorar a resposta aos cidadãos”, sendo essa “a prioridade número 1 desta legislatura, quer aumentando a acessibilidade em termos de volume como de qualidade e de humanização”.
Para o efeito é preciso, segundo a ministra, “apostar verdadeiramente nos cuidados de saúde primários (CSP), invertendo o desequilíbrio que existe entre CSP e hospitalares, quer no orçamento como nos recursos humanos”. Marta Temido acrescentou, relativamente a este ponto, que o ideal é investir “na articulação entre os dois níveis”. 
Marta Temido
A responsável levantou ainda a questão dos recursos humanos, sujeitos cada vez mais a burnout. A solução para este problema deverá passar, segundo disse, pela “estimulação de uma maneira diferente de estar no SNS”, otimizando-se as condições de trabalho, mas também não esquecendo “a recuperação do sentimento de orgulho por se trabalhar no SNS”.
E acrescentou: “Isso vai depender de cada indivíduo, logo temos que construir profissionais mais resilientes e, perante uma área que exige uma grande pressão e desgaste, escolher quem tem capacidades técnicas mas também resiliência emocional.”
Face às alterações sociodemográficas, como o envelhecimento da população e a baixa taxa de natalidade ou o aumento das doenças não transmissíveis, a ministra apelou a uma maior aposta na promoção da saúde e no uso adequado dos serviços.
Marta Temido, José Aranda da Silva e Ana Torres
Na mesa participaram ainda Ana Torres, presidente da PWN Lisbon, Sara Carrasqueiro, vogal da Agência para a Modernização Administrativa, Leonor Furtado, inspetora-geral das Atividades em Saúde, e Ana Escoval, administradora hospitalar do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte. A moderar esteve José Aranda da Silva, membro do Conselho de Administração da Fundação para a Saúde – SNS.
O evento decorreu na sede da Direção Nacional da Polícia Judiciária, em Lisboa.




